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11/01/2009

Fabricantes e varejistas debatem
temas indicados pelo setor



“A concentração de fornecedores pelo varejo. A terceirização da produção pelos fabricantes” foi o primeiro tema debatido na tarde deste domingo, durante o 13ª Congresso Brasileiro do Calçado.

Para uma platéia de mais de 600 profissionais do setor, Marconi Matias dos Santos, diretor superintendente da rede de lojas Itapuã e presidente da Ablac – Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados, falou sobre o processo de redução de fornecedores e a importância de orientar os funcionários a conhecer e saber diferenciar estilo e preços.
Outro item explanado foi a importância das lojas fazerem um trabalho de pesquisa de moda e de mercado. “Um exemplo é a Couromoda que torna-se um amplo e majestoso campo para pesquisa e identificação de grandes negócios que resulta em maior giro de estoque, justamente por unir um grande número de fornecedores”, disse o presidente da Ablac.

Imad Esper, diretor comercial, da rede de lojas Savan, também falou sobre a redução de fornecedores em suas lojas. Ele ressaltou que o planejamento foi fundamental para não ter prejuízos. O empresário falou sobre os critérios para quem quer entrar no mercado, enfatizando que é fundamental direcionar o foco.

“O fornecedor tem que pensar na qualidade do produto e a quem direcionar. Ter a linha adequada e o prazo de entrega também são fundamentais para o sucesso de ambos (fabricante e varejista), já que a demora acarretar prejuízos. Outro ponto chave desse relacionamento comercial é o item qualidade x preço e quem define a venda do produto é o cliente, por isso, que há cada três meses avaliamos os fornecedores e se for o caso mudar, mudamos para manter o sucesso das lojas”, disse o empresário.

Lojista há 29 anos, Claudir José Dullius revelou que tenta, mas nem sempre consegue, receber todos os representantes interessados em mostrar as novidades dos produtos. “Para isso estabeleci uma política, onde não se pode administrar uma loja ou uma rede com o coração. Essa política para compra está nos preços, qualidade dos produtos, inovação e tendência de moda”.



Visão e experiências dos fabricantes

Falando sobre o crescimento da terceirização da produção, Alexandre Maniglia Brigagão (Téti), diretor comercial de Calçados Sândalo, explicou sobre o processo de licenciamento da produção dos sapatos da marca. Segundo ele, a Sândalo iniciou o licenciamento na produção em 2006, quando começou a reduzir o número de funcionários de 600 para 25. “Mantivemos o cérebro da criação e marketing das coleções e focamos nossa produção no pólo industrial de Franca que passou a responder também pela qualidade e exclusividade de cada coleção”, exemplificou Teti.

Segundo ele, o atendimento aos clientes continua sendo centralizado pela Sândalo justamente para manter a cultura da empresa que é de primar pela qualidade de cada produto fabricado pelas quatro fábricas e vendidos para clientes do Brasil e do exterior. “Essa terceirização foi acontecendo gradativamente e tem fortalecido a marca junto aos clientes nacionais e internacionais”, completou o diretor comercial de Calçados Sândalo.

Para Almir dos Santos, diretor presidente de Suzana Santos Calçados, a terceirização no Brasil e exterior têm crescido e ele vê neste processo uma grande oportunidade. “No caso de Suzana Santos Calçados terceirizamos apenas a costura dos calçados para manter a qualidade e exclusividade dos produtos e isso gera emprego para muita gente”, disse Santos. “O valor agregado no produto é grande, mas isso causa giro rápido. Mas se essa terceirização fosse feita em outro país como a China, teríamos chances de perda da qualidade e prazo de entrega por causa da distância e burocracias”, finalizou o empresário.

Na visão de Luis Fernando Huttner, diretor da rede de lojas Adélia Calçados, a terceirização pode ser uma grande oportunidade para trocas de idéias. “No meu ponto de vista não existe nenhum problema em comprar produtos importados, mas é preciso ficar atendo para a qualidade. O único problema na moda importada está no prazo de entrega não cumprido, fora isso não vejo razões para não aproveitar dessa globalização”, acredita Huttner.


Veja os temas debatidos nesta primeira parte do Congresso

A concentração de fornecedores pelo varejo.
A terceirização da produção pelos fabricantes.

• As lojas estão reduzindo o número de fornecedores e marcas? Quais as causas e conseqüências?

• Quais critérios as lojas utilizam para selecionar fornecedores ou incluir novos? Quais causas podem levar a loja a excluir um fornecedor do seu cadastro?

• Como o representante de vendas, que não faz parte do rol de fornecedores da loja pode “quebrar a barreira de entrada” para oferecer seus produtos e condições comerciais para lojas com cadastro de fornecedores já fechado?

• Existe uma tendência de crescimento da terceirização da produção pela indústria brasileira? Produtores chineses estão participando desse processo?

• Quais motivos levam uma fábrica a terceirizar a produção das suas marcas?

• Como ficam os serviços de atendimento ao varejo com relação ao produto, à qualidade e processo com o Procon?

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