18/01/2010
| Indústria está otimista e estima
chegar a 400 mil empregos em dois anos |
Em
seu pronunciamento na abertura da Couromoda 2010, em São Paulo, nesta segunda-feira,
o empresário Milton Cardoso destacou:
“Esta Couromoda é muito diferente da que tivemos no ano passado.
Naquela ocasião, a indústria brasileira compareceu a este Anhembi
cabisbaixa, passando ungüento nas feridas provocadas pela importação
predatória.
Cerca de 42 mil empregos haviam sido exterminados no último trimestre de
2009, provocados pelo aumento explosivo das importações, que faziam
do Brasil a valeta de desova dos excedentes mundiais de estoques gerados pela
recessão dos grandes mercados.
O consumo interno de calçados havia crescido, mas as importações
não apenas se apropriaram de todo o crescimento, como roubaram da indústria
brasileira 15% de seus postos de trabalho”.
“Neste ano – prosseguiu o Presidente da Abicalçados - a
retrospectiva recente e as perspectiva são diferentes. Desde que foram
implementadas as medidas provisórias de defesa comercial preconizadas pela
Organização Mundial do Comércio contra as importações
desleais da China, a indústria nacional de calçados já criou
mais de 30 mil novas vagas. Encerramos dezembro de 2009 com 327 mil trabalhadores
nas fábricas. Somando toda a cadeia do couro/calçados, chegamos
a 10% de todos os empregos da indústria brasileira de transformação.
É também o mais alto número para o mês de dezembro
nos últimos quatro anos”
Em meados de 2008 a Abicalçados ingressou junto ao Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com um pedido
de investigação contra a prática de dumping das exportações
de calçados da China para o Brasil. Averiguações preliminares
indicaram uma margem de 435% de dumping nestas exportações. Foram
mais de 8 meses de investigação, até que em setembro a CAMEX
impôs a Tarifa Provisória de US$ 12,44 por par para todos os calçados
importados da China.
“Bastou este sinal para a que a indústria voltasse a contratar
e a investir” – destacou Milton Cardoso. A reação foi
imediata: 30 mil empregos diretos foram recuperados nos últimos meses do
ano. As estimativas da Abicalçados eram que, no prazo de um ano, poderíamos
criar 60 mil novas vagas, mas hoje as expectativas são superiores: pesquisas
feitas junto à indústria indicam que poderemos bater nosso recorde
de 400 mil empregos diretos nas fábricas de calçados nos próximos
dois anos. Isso demonstra o dinamismo da indústria de calçados e
a reafirma a importância da Tarifa Antidumping aplicada às importações
da China”.
A tarifa provisória vale até 9 de março. Até lá,
será necessário que os sete ministros que integram a Câmara
de Comércio Exterior (CAMEX) votem pela adoção da tarifa
definitiva, que poderá valer por 5 anos, com valor aumentado para US$ 18,47
por par.
Segundo Cardoso, os efeitos da medida imposta foram o aumento do emprego e dos
investimentos. Nenhum efeito negativo foi detectado: o mercado continuou abastecido
e o consumidor plenamente atendido, não apenas em quantidade e qualidade,
mas sobretudo em preços, que se mantiveram estáveis.
8 mil indústrias contra 6: quem vai ganhar?
Segundo o Presidente da Abicalçados, no processo de investigação
posicionaram-se a favor mais de 8 mil indústrias de calçados, sindicatos
da indústria e de trabalhadores, prefeituras e parlamentares. Contra a
medida, posicionaram-se apenas seis empresas, duas brasileiras e quatro multinacionais.
“Parece-me inquestionável em que lado concentra-se o interesse nacional.
E estamos otimistas de que o voto dos ministros será favorável,
pois este é um governo que entende a importância da indústria
de calçados para o Brasil”, disse Cardoso.
“A indústria de calçados já foi dada como liquidada
várias vezes ao longo das últimas décadas e hoje ainda se
posiciona como a terceira maior indústria do mundo e a quarta maior exportadora.
É a prova inconteste do dinamismo, da modernidade e de sua capacidade de
crescimento”
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