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27/07/2010

José Serra fala sobre crescimento econômico aos empresários do LIDE

Em Almoço-Debate promovido pelo LIDE, o candidato tucano debateu temas como política externa, desenvolvimento da economia e carga tributária

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, participou no último dia 26 de Almoço-Debate com empresários do LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, em São Paulo, onde abordou temas como desenvolvimento da economia, política externa, saúde e educação. O encontro, que foi o último da série de debates com presidenciáveis, reuniu 497 empresários e 96 jornalistas na capital paulista.

Ao lado de toda cúpula tucana e de seu candidato a vice, o deputado Índio da Costa (DEM-RJ), José Serra abriu o debate fazendo um breve histórico da economia brasileira nas últimas décadas. Segundo Serra, de 1930 até 1980 a economia brasileira foi a que mais cresceu no mundo. E a partir dos anos 80 o Brasil sofreu com 15 anos de inflação. Para o ex-governador de São Paulo, o baixo desenvolvimento econômico das últimas duas décadas deve-se ao choque de estilos de governo, referindo-se à alternância entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. “Uma questão importante é pensarmos nas tendências do Brasil nesta década. Essas eleições vão definir os rumos que o Brasil vai tomar até 2020”, observou.

Desindustrialização
Para José Serra, o Brasil vive um processo de desindustrialização e de uma economia primária exportadora. “Precisamos voltar a ter um estilo de desenvolvimento industrial forte e reverter esse processo. A meu ver, a indústria é a única capaz de fornecer ao Brasil um grande número de empregos. Temos uma demanda de 20 milhões de empregos no Brasil. Temos indústrias altamente capacitadas, como a de calçados e a do setor têxtil, mas que sofrem com a importação de produtos chineses. Em algumas áreas, o Brasil não consegue competir com a importação de má qualidade”, destacou Serra.

Carga tributária
Sobre o tema carga tributária, Serra aproveitou para colocar em dúvida a percepção de sua concorrente, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. “O Brasil tem a maior carga tributária entre os países em desenvolvimento. Dilma chegou a dizer outro dia que isso era bom, que estávamos na média. Só que a assessoria dela (Dilma) deixou de avisá-la que a gente tem que comparar o Brasil com países em desenvolvimento e não com países como Suécia, que tem uma das maiores rendas per capita do mundo”. O candidato afirmou que, para ser um país sem pobreza até 2050, é preciso crescer 4,5% ao ano.

Gargalos da exportação
O empresário Francisco Santos, que compôs a mesa dos debatedores do almoço, conversou com José Serra sobre os gargalos da exportação, que estão tirando a competitividade da indústria de manufaturas. Também falaram sobre a Lei da Responsabilidade Cambial, ideia defendida pelo candidato e já externada em uma de suas visitas à Couromoda.

“Serra é um crítico do reconhecimento da China como economia de mercado pelo governo brasileiro e, eleito, deve propor uma nova política para devolver competitividade aos exportadores”, destacou Santos.

O presidente da Couromoda salientou ainda a importância do ciclo de almoços com os três principais candidatos e melhor colocados nas pesquisas. "Durante os debates com Dilma e Serra, tivemos a oportunidade de abordar o tema da exportação, e ambos levaram o recado da preocupação do nosso setor com o dumping social e cambial praticado pelos países da Ásia”, disse Santos.

Para o presidente da Couromoda, temos que responder com medidas firmes, que nos devolvam parcelas de mercados importantes nas Américas e na Europa, principalmente.

Política externa
Em relação à política externa do Brasil, Serra disse que o país não tem uma política de comércio exterior e que é a favor da tese “negócios são negócios”, mas que o país não tem feito isso. Segundo o candidato, o Brasil assinou apenas um acordo comercial, com Israel. Ele questionou também o aumento de 15% da remuneração da energia do Paraguai.

Para ele, outro ponto importante do governo federal diz respeito aos direitos humanos. "É amigo de Cuba? Então usa essa amizade para libertar os presos cubanos, não deixa isso para a Espanha", disse em meio a aplausos.

Saúde
Assim como na palestra de Dilma, a saúde esteve em pauta. Respondendo a pergunta feita pela presidente da Hospitalar, feira do Grupo Couromoda, Dra. Waleska Santos, sobre o setor de saúde, Serra afirmou que: o SUS – Sistema Único de Saúde é um bom sistema e aumentou e qualificou o índice de atendimento à população carente, mas, mesmo assim, as ações de saúde nos últimos anos não atenderam a demanda.

Francisco Balestrin, vice-presidente da ANAHP (Associação Nacional dos Hospitais Privados); Dra. Linamara Battistella, secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo; Franco Pallamolla, presidente da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria Médico-Odontológica); Dra. Waleska Santos, presidente da Hospitalar; e Dr. José Luiz Gomes do Amaral, presidente da AMB (Associação Médica Brasileira)

“Precisamos melhorar a remuneração do SUS, ampliar suas unidades e investir em consultas e exames. Um bom exemplo é o trabalho que vem sendo feito em São Paulo pelos AMEs – Ambulatórios Médicos de Especialidades”. Também citou como exemplo alguns outros casos de sucesso na área de saúde feitos pelo Governo de São Paulo e disse que, se eleito, vai ampliar estas iniciativas para todo o Brasil.

Para Dra. Waleska Santos, São Paulo é visto e reconhecido por outros Estados por seus programas de sucesso na área da saúde e, se Serra, eleito, levar estas iniciativas, que já beneficiam nosso Estado para todo o Brasil, teremos uma revolução muito positiva na saúde. “Serra disse que, eleito, vai tratar a saúde como Patrimônio Nacional. Estamos precisando de um governo que coloque a saúde em primeiro plano, porque ela é o começo de tudo, sem saúde não se tem nada. A saúde precisa ser pauta prioritária nos novos governos”, destacou a presidente da Hospitalar e membro do LIDE.

As mesmas questões foram encaminhadas para a candidata Dilma Roussef, que também participou de um almoço debate do LIDE, no início de julho. O importante, seja qual for o candidato vencedor, é que a saúde tenha a atenção que merece nas ações do próximo governo.

Educação
Para José Serra o Ensino Técnico é uma importante ferramenta para melhorar a educação no país, pois aumenta a motivação e o rendimento dos alunos e também alavanca o desenvolvimento. “Sou a favor de treinar e especializar pessoas desempregadas com cursos curtos de 3 a 4 meses, que têm por objetivo capacitar estas pessoas para que possam voltar ao mercado de trabalho”. Outro ponto destacado é a qualificação dos professores em sala de aula, bonificações e metas por escola com prêmios, o que já acontece no Estado de São Paulo.

Estilo de Governo
O candidato à Presidência da Republica também afirmou que o PT, embora contrário, se favoreceu de projetos do PSDB como, por exemplo, o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Fundef. "O PT se beneficiou disso tudo embora tenha votado contra tudo isso", disse durante seu discurso.
“Meu estilo de governo não está baseado na crítica e em governar para um partido e sim para um país. Se eleito, terei uma equipe homogênea e integrada com prioridades para governar. Ultimamente no Brasil tudo é prioridade”.

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fotos: Piti Real

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