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04/06/2008

Seminário aborda o cenário
global da indústria de calçados



Enio Klein (Abicalçados), Marcos Tavares (Bopil Balina), Aiton Manoel Dias (Couromoda), Marconi Matias (Ablac), Pedro Gomes (Tênis Randan), Wagner Poli (Pé com Pé), Caetano B Neto (SindiJaú)

Com apoio do Sebrae Nacional, Sebrae Ceará e organizado pela Abicalçados aconteceu no último mês de maio, o 12º Seminário Nacional da Indústria de Calçados, em Fortaleza.

Airton Manoel Dias, diretor do Fórum Couromoda, esteve no evento e destaca alguns pontos importantes apresentados no seminário.

1- Cenário Global do Mercado Calçadista - por Ferenc Schmél (Unido Áustria)

a) Crescimentos projetados para 2015
Projeção Realista para 2015: População mundial projetada para 6,9 bilhões de pessoas (+ 9,5% em 10 anos), com consumo per capita de 2,5 pares ano. Consumo será de 17,3 bilhões de pares, com incremento de 4,2 bilhões de pares/ano, ou 32% a mais que 2005.
Projeção Possível para 2015: Com a mesma população de 6,9 bilhões de pessoas, mas com consumo de 3,5 pares per capita (totalmente viável com a inclusão de milhões de pessoas que não estavam neste mercado), teremos um consumo de 24,2 bilhões de pares, com incremento sobre 2015 de 11 bilhões de pares ou 85% a mais que 2005.

b) China: crescimento do consumo interno e aumento dos custos
Em futuro próximo a China deverá destinar em torno de 50% da produção local para atender consumo interno, cada vez mais crescente e exigente. Já existem problemas provocados pelos aumentos de custos, principalmente pelas novas leis trabalhistas. Tais aumentos não estão sendo repassados para os preços, pois os fabricantes têm receio de perder mercado, mas não suportarão essa situação por muito mais tempo.
Cabe uma questão: Qual o país (ou paises) que substituirá a China ou complementará a sua exportação para atender a esse gigantesco crescimento esperado?

c) Índia: uma possibilidade
A Índia tem uma distribuição mundial mais diversificada do que a China, menos dependente dos EUA, mas ainda tem que melhorar muito a qualidade do produto produzido, que em 2005 foi de 855 milhões de pares. O governo pretende incentivar esta indústria para absorver mão-de-obra e triplicar essa produção até 2010.

d) Brasil: pode crescer muito
Com a capacidade de produção já existente, incluindo-se o amplo fornecimento interno de insumos, máquinas e equipamentos, com o nome que já desfruta no mercado internacional e com forte conhecimentos comerciais já adquiridos, o Brasil terá grande oportunidade de participar desse bolo maior do mercado mundial. Sabe-se das dificuldades internas com relação ao cambio e com a excessiva carga tributária que reduz a competitividade dos exportadores, mas a oportunidade estará aberta, principalmente se forem mantidas as condições competitivas das fabricas instaladas no nordeste brasileiro.

2 – A evolução e o futuro do calçado Atlético no cenário mundial - por Roland Steyns da Unido - Bélgica

a) China:
É sem dúvida o grande produtor das marcas que lideram o mercado mundial, mas os fabricantes estão enfrentando sérios problemas de aumento de custos, provocados por:
- Redução dos incentivos do governo chinês para exportações, como no caso do fim da isenção do IVA.
- Aumento do custo da mão-de-obra, em função de salários maiores, novas leis trabalhistas com novos encargos, trabalhadores mais exigentes com relação às condições de trabalho.
- Valorização da moenda local, encarecendo preços em U$.
- Novas exigências dos importadores, com relação a trabalho infantil, meio ambiente, ética.
Tais aumentos de custos levarão fabricantes chineses a rever seus preços internacionais, reduzindo sua maior força competitiva que tem sido o preço baixo.

b) Índia e Indonésia:
Trabalham com custos inferiores aos da China e tendem a crescer bastante. Fabricantes chineses estão investindo em eficiência e aumento de produtividade para contrabalançar os aumentos de custos da mão-de-obra e por enquanto não repassaram aumentos para os preços, mas sabe-se que essa estratégia não poderá durar muito. A grande pergunta que se faz é: “até quando vão suportar”? Há movimento importante de transferência de produção para a Indonésia e espera-se o mesmo com relação à Índia.

3 – Potencial da América Latina como mercado de calçados - por Dr. Pedro Beriestain Bosco da FEDECCAL – Chile

Acordos regionais como Mercosul, Comunidade Andina, Alca e outros deverão nortear os crescimentos dos mercados calçadista desta região do mundo.
O Brasil deveria considerar como seu mercado doméstico toda a América Latina e não apenas seu mercado interno. Com sua economia forte, capacidade de produção instalada e força comercial internacional, poderia aumentar sua presença em todos os mercados latino americanos.

Consumidores da América Latina estão muito mais informados e cada vez mais exigentes. Em 2000, apenas 23 milhões de pessoas usavam a internet. Já em 2007, esse número triplicou para 73 milhões. Esses novos consumidores querem qualidade, atualidade, inovação e não só sapatos para vestir o pé.
Por isso é necessário que fabricantes brasileiros repensem suas estratégias para participarem de forma mais eficiente desse grande mercado, que exige continuidade, prestação de serviços, entregas mais rápidas, e não apenas programações com longos prazos de entregas, e dois ou três encontros anuais.

4 - Panorama do Mercado Europeu de Calçados - por Dr. Yrjo Gorski da CEDDEC, Finlândia

Os desafios e tendências do mercado europeu podem ser resumidos em:
- Encurtar o ciclo de vida do produto, com os fornecedores atendendo as reposições com maior rapidez.
- Eliminar a demora das informações, mercado está muito ativo e rápido exige soluções e respostas rápidas.
- Coletar e analisar informações sobre consumidores, tanto com relação a produtos e tendências como em relação ao serviço e atendimento. Qualquer falha pode custar muito dinheiro.
- Ajustar estratégia de marketing e ações comerciais continuamente.
- Inovações constantes e rápidas em produtos e serviços.

5 – O Nordeste como plataforma de produção e exportação de calçados -
por Prof. Enio Erni Klein, Abicalçados

Questões a considerar:

- Fim da era das duas coleções anuais – outono/inverno e primavera/verão. Vende-se ½ estação e verão o ano todo.
- Foco da indústria deve levar em conta importante mudança: de mercados nacionais para mercados regionais “climáticos’”.
- Explorar com inteligência os dois hemisférios – Norte e Sul – produzindo o mesmo tipo de produto ano inteiro (produto verão). Evitar investimentos em máquinas, processos e matéria prima para produtos de inverno que não trazem retorno adequado por ter participação menor no mix anual das vendas.
- Com produtos mais simples (industrialmente falando), as fabricas poderão atender o norte e nordeste, durante ano todo com mesmos estilos. A região sul do Brasil que apresenta certa redução deste produto durante o inverno pode ser substituída pelos paises do hemisfério norte. Assim mesmo produto pode estar nas linhas ano todo.
- Focar em paises do hemisfério norte com forte concentração urbana, pois são consumidores urbanos que consomem mais sapatos. A busca do consumidor não urbano é mais complexa e pode não dar o retorno necessário.
- Foco nos paises de maior êxodo rural, como o que está ocorrendo na China.
- Foco nas culturas islâmicas, onde há elevado consumo de sandálias, chinelos (homens e mulheres) e de rasteiras para mulheres, o ano inteiro.
- Procurar alternativas ao couro, usar a criatividade e buscar melhor nível de preço e competitividade.
- Assumir liderança da brasilidade em suas coleções, o que inclui o uso de materiais típicos do Brasil e da Região.

Por Airton Manoel Dias
Diretor do Fórum Couromoda



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