|
23/07/2008
Aumento das importações e queda
nos empregos
alertam o setor calçadista |
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) está preocupada com os dados apresentados pelo IBGE referentes ao nível de emprego e à produção do setor.
O presidente da entidade, Milton Cardoso, aponta que o crescimento “alucinante” de 57% das importações tem relação direta com o desempenho apontado pelo Instituto. Segundo o IBGE, em maio deste ano, comparando com o mesmo mês de 2007, houve uma redução de 11,91% de pessoal ocupado assalariado nas indústrias do setor de calçados e couro. No acumulado do ano, o índice negativo de 11,48% retrata a realidade do setor, que continua em retração, visto a análise dos últimos 12 meses, com índice de -9,23%. A pesquisa indicou ainda que naquele período ocorreu uma diminuição de 14,3% na produção de calçados.
IMPORTAÇÕES
As importações, por sua vez, de janeiro a maio deste ano aumentaram 49,3%, com a entrada de 17,1 milhões de pares. Já o semestre registrou a entrada de 20,5 milhões de pares, contra os 13,1 milhões do mesmo período de 2007. A comparação de junho de 2008 com o mesmo mês em 2007 continua mostrando aumento nas compras externas de calçados, com uma variação positiva de 56,9% em dólares e 101,3% em pares.
“É importante mencionar que as importações voltaram a acelerar a taxa de crescimento nos últimos dois meses do ano e que os sinais, ainda não captados por estatísticas, são de que haverá um crescimento ainda mais forte no segundo semestre”, expõe Cardoso. Ele comenta que a oferta de calçados importados para os comerciantes brasileiros está muito alta, “fato, aliás, consistente com a perspectiva de formação de um excedente mundial de produção em face ao encolhimento do consumo nas economias centrais e à insistência da China e Vietnam em manter o crescimento de dois dígitos”, ressalta o dirigente.
O presidente da entidade ressalta que a Abicalçados continuará sugerindo ao Governo Federal a implantação de uma série de medidas, sendo que a principal delas é a revisão da excessiva tributação da mão-de-obra. Na apresentação da PEC da Reforma Tributária, Cardoso lembra que o Governo não mencionou que, além de ser tributada pelo INSS e acessórios (sistema S) e pelo FGTS, a folha de pagamento também é tributada pelo ICMS/PIS/COFINS/IPI.
“E nesta mesma PEC continuará a ser tributada pelo IVA-E ”, comenta Cardoso. O presidente da Abicalçados explica que grande parte do “valor adicionado” é tributada pelos impostos atuais e que continuará a ser pelos novos IVA, o que é, na verdade, “uma punição à geração de emprego, uma vez que representa uma tributação nacional aos encargos diretos da mão-de-obra, como INSS, Sistema S, seguro de acidentes do trabalho, FGTS, salário educação, dentre outros”, critica. A sugestão da entidade calçadista é a da exclusão dos gastos com pessoal do cálculo do “valor adicionado”.
Leia também
• Primeiro semestre registra queda nas exportações de calçados |