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27/08/2008

Mistura de estilos marcam a moda do século XXI

Para o estilista e professor universitário João Braga, a moda do século XXI é semelhante a uma vitamina de várias frutas – as características de cada uma (período, grupo de pessoas ou tribo) se misturam.

A afirmação foi feita durante o Seminário de Design e Tecnologia para Couro e Calçados 2008, que aconteceu em Novo Hamburgo/RS, neste mês de agosto, e que teve João Braga entre os palestrantes.Mais do que pertencer a uma ou outra tribo ou ter um ou outro estilo, o importante na atualidade, segundo Braga, é a busca por uma identidade própria, o que permite às pessoas mesclar características muito diferentes e mudar repentinamente de rumo, se assim o desejarem.

“Não há, acrescenta, um nome específico para identificar o atual período da moda. Alguns o definem como pluralidade, outros como hibridismo e há ainda os que preferem identificá-lo como pós-moderno ou hiper-moderno. Seja qual for a denominação, alguns conceitos são evidentes, tanto em confecções, quanto em calçados e outros produtos”, diz o estilista.

Os mais conhecidos são releitura (fazer algo novo com um ar do passado), vintage (basear-se em algo que tinha sido expressão de moda no passado), customização (fazer um produto de acordo com a vontade do cliente, ou seja, personalizado), cross over ou cross culture (misturar várias referências temporais ou culturais) e high low (unir algo muito caro com algo muito barato). “Com tudo isso, a moda se reinventa e pode fazer coisas diferentes, para sair da identidade coletiva e atender aos anseios de inovação de cada um”, destaca.

Outro conceito que Braga destaca é mastígio, isto é, a mistura de massa (popular) com prestígio. Nele, une-se o prestígio de uma marca de luxo, inacessível ao grande público, a um produto de menor valor, que faz alusão explícita à primeira. Exemplos são um chaveiro Louis Vuitton para quem não pode comprar uma bolsa da marca ou um perfume Yves Saint Laurent para quem não pode adquirir uma roupa de alta costura.

A tecnologia oferece novas possibilidades de produção, novos materiais são desenvolvidos e tudo contribui para o surgimento de um novo design. O valor agregado é reconhecido pelos usuários e cria-se um novo estilo de vida, que ganha adeptos em todo o mundo. Este conceito, diz o estilista, atende aos anseios de uma grande parcela de consumidores e movimenta valores significativos.

Em sua palestra, o estilista também mostrou uma descrição da moda, dividida por décadas, que foi elaborada pelo sociólogo europeu Ted Polhemus. Confira!!


Moda elevador
Nos anos de 70 havia um intenso sobe e desce na escada social, baseado nas condições financeiras de cada pessoa. Quantidade e volume eram importantes para ascender socialmente. O conceito de grife ganhou importância e as pessoas se impunham socialmente pelo que usavam. Sofisticação e luxo eram valores predominantes, assim como as peças únicas (exclusivas) feitas à mão.

Moda arquipélago
Anos 80. Havia ilhas isoladas de estilo, sem pontes de ligação entre elas. Cada pessoa era fiel a uma identidade visual. O dinheiro não fazia diferença no horizonte da moda. O estilo, sim.

Moda metrô
De 1990 até hoje. As estações (tribos) são muitas, de surfistas à emos. Pega-se o ‘trem’ em qualquer uma e a qualquer momento, pode-se descer repentinamente e mudar completamente de direção, conforme o desejo de cada um. Cada pessoa constrói seu visual e sua identidade ao seu modo, utilizando elementos de uma única ou de várias tribos.


 
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